sábado, 15 de agosto de 2015

Ideal











Quem és velho que passa
com o terror nas órbitas e ereto ?
Mira com calma e com a alma
o resultado do “após tua guerra”
que trouxe à luz, nós monstros abissais,
ó pavoroso museu de “altas erradas”.
Temes ???
Não te agarraremos como pensas
porque se nossas mentes estão cheias de ópio

 as mãos permanecem alvas e puras.
Vês ? Nossos lábios sabem sorrir; os teus esqueceram,
e cada sorriso nosso é suave e real.
Se tentas sorrir tua boca abre-se em cratera
como aquelas abertas na “tua guerra”.
Temes ???
Não temas.
Nós ainda amamos e um cifrão não nos cega,
já que nossa retina é forte
enquanto os tímpanos são frágeis.
É melhor ouvir os sussurros da paz
que o ribombar das bombas que “tua guerra” traz.

 Temes ???
Respeitamos sua corcunda e velhice   
e ainda mais sua careca brilhante.
Se te olhamos quando passas
é por vergonha de descender de ti.
Olha, sente o que fizeste ao nosso ar,
e sem motivos nos temes.
Bem sabes que nos condenaste a batalhas inglórias

 e a um sofrer constante.
Estufas o peito pesado de imaginárias medalhas
salpicadas do sangue de seus semelhantes.
Olha !!!  Olha os frutos do teu passado.
Temes ???
Não tema, já que não temeste a guerra
e a julgaste realmente importante.
Ainda somos sufocados pela onda de terror
que invade o outro lado do oceano.
Ficamos aqui, expostos à sua crítica
e nada te faremos.
Temes ???
Nos campos de guerra ficamos à tua frente,

 peito aberto,
oferecendo nossa juventude pela sua velhice,
querendo atirar flores e amor
para matar sim, mas de felicidade,
os que do lado de lá, choram como nós
por cada corpo que tomba na poeira.
Olha! Que fizeste com o mundo ???
Temes ???
Não temeste fazer a guerra.
Pobre de ti, velho guerreiro
que optou pela morte e destruição.          

 “Tua guerra” no campo terminou,
agora batalhas contra o medo,
pois vives pisando os corpos dos teus irmãos
assassinados por ti.
Não temas !!!
Nossa paz interior será flâmula no Universo,
o mundo será libertado
e choverá flores !
Neste dia então verás
como é bom viver em paz !!!   







                                                    31/05/1971

Interessante ao ler esse texto é que naquela época eu não imaginava que um dia teria 62 anos, seria careta e ultrapassada além de culpada também por inúmeros transtornos na vida dos jovens. Naquela época os danos na natureza não eram tão intensos e se eu falava da violência social, e participava dos ideais, não assumi compromisso algum para minimizar o impacto que nossa geração provocaria na terra.
Hoje eu sou a velha que passa...

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