sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Poeta




Poeta é o que anda à esmo, sem nunca poder parar,
É o que ama ao mundo, sem pedir pra ser amado,
É sempre o que escuta quieto, sem nunca poder falar,
E enquanto os outros dormem, só ele fica acordado.



Poeta é o que sofre as dores, sem murmurar um só ai,
É o que se fecha no escuro para vislumbrar a luz;
é o que desperta cantando, e cantando a vida, vai,
sem reclamar um segundo, do peso da sua cruz.



Poeta é o que ama as flores, é filho da natureza,
É o que transporta na carne os sofrimentos da terra,
É o que no pranto sorri, mesmo morto de tristeza,
E amor, bondade e nobreza, em seu coração encerra.


Poeta canta calado, entre os sons e o espanto,
É o que faz acalanto, sua divina mensagem.
É o que afoga na escrita, suas penas, dores e prantos,
E da sensibilidade a viva e sublime imagem.



Poeta é o que anda sedento de justiça e de amor,
É o que caminha como ébrio, em busca de inspiração.
Poeta é o que rende glórias à alegria e à dor,
É o que atravessa o inverno, com o sol no coração.
                                       

Poeta conhece a vida e sonda as almas, contudo,
Aceita sem lamentar, seu destino e sua sorte.
É o que ouve e não fala. O poeta nasce mudo,
E leal, franco e sincero é poeta até a morte.



                                                         04/08/1971

Saudade







Saudade ingrata de mil maldades,
que me faz ver tudo torpe e enegrecido.
Ai, que me fazes ver o rosto tão querido
a flutuar no espaço.
Sou parte e parte de revolta e ódio
que se volta para Deus
na tentativa de se aperfeiçoar...
por que, saudade tu existes
e me fazes molhar o chão com minhas lágrimas?
Vivo sufocada por ti,
tu és a força que vai me matar;
tu sabes bem que és maldita.
És a morte !!!
Que queres fazer de mim, saudade ?
Uma tragédia, uma comédia ?
Queres fazer-me uma palhaça, suicida ?
Sou muito covarde...
Ao ver o rosto que amo
a flutuar a minha volta,
some o desejo de vingança, o ódio
e eu só choro...
de saudade.





                                                   20/04/1974

Sorriso um milhão.









Menino da gente, presente da vida,
Seu céu, sua sombra  são tão envolventes
Disfarçam  o vazio das noites e dias.
Se vejo sua imagem que me é tão querida,
Se fito seu rosto, sempre sorridente,
Eu vejo, meu sonho, um mar de alegrias.

Menino bonito, que sonha acordado,
Seus sonhos me trazem um reino, criança,
Em contos nascidos do seu coração.
Se aperto em meu peito seu corpo, amado,
Se escuto seu riso, cheio de esperança,
Eu ouço celeste e amena canção.








Vivendo seus sonhos, meu mundo enlouquece,
São fábulas vivas de um mundo almejado,
E elevam à glória um mundo diferente.
Em cada sorriso, seu riso aparece,
Menino de sonhos, que sonha acordado
Meu lindo e pequeno, anjo inocente.







               

Seu mestre, seu palco, e a sua vitória
Te empurram na vida, te apressam na estrada,
Esperando você ansiosamente.
Seus livros te esperam. Contam cada história !
Já corre  sua era gostosa piada
Que abrirá seu sorriso de “um milhão de dentes”.









Eu tento entender sua imaginação,
Que me leva a planar no azul do infinito,
Ou me torna princesa num reino encantado.
Me deixo envolver pela louca emoção,
E vôo ao seu lado, menino bonito,
E escrevo com estrelas: Glauco – adorado !!!



                                                  
                                                            








     







                   



                        03/08/1971


                   

Desvendando



Ontem o passado sussurrou ao meu ouvido,
Coisas que eu nunca poderia imaginar,
Coisas que no fundo eu não queria crer.
Segredos guardados no cofre da memória,
Esquecidos na rotina do sossego,
Pedaços perdidos no tempo a correr.

     


O soluço fechou-se no espaço vazio
Que a incerteza ocupou por tanto tempo
E onde as marcas já não provocam dor.
A frieza, tão comum na realidade,
Contrasta com a tristeza que é a fortaleza,
De onde a verdade precipitou o amor.


Ao se abrir a cortina que encobre a vida,
A amargura invade a claridade,
E se torna densa treva a pura  luz.
É preciso limpar a trilha do destino,
E então buscar no extremo da saudade
A força que liberta e conduz.



Talvez seja possível reviver as sensações,
Talvez seja possível, novamente rir
Mirando as paisagens agora renovadas.
É preciso então enterrar toda lembrança,
É preciso então contar segredos do passado
E ter as esperanças resgatadas.




                                                    18.12.2013





domingo, 8 de dezembro de 2013

Tributo a beleza da Simone




Noite escura, salpicada de luzes, misteriosa e calma
Manda a este mundo entrecortado de injustiça e fome,
Uma chuva de estrelas, escolhidas entre as mais belas,
Sobre a cabeça pura da Simone.
 







Flores de minha terra,, de matizes estonteantes,
Cujo perfume inebriante, o tempo não consome,
Derramem seu perfume, ó flores de minha terra,
Sobre o corpinho casto da Simone.


Céu do meio dia, profundo e infinito,
Não deve haver na terra, alguém que não te  ame,
Sua cor, seu brilho e beleza,
Foram tirados dos olhos da Simone.

Ó  misterioso mar, abismo deslumbrante,
De infinita fama e igual renome,
Presenteie com sua força, ó mar abismo deslumbrante,
A  fragilidade santa da Simone.



Ó Virgem das Virgens, Rainha Celestial,
Se prostra a terra inteira, ao ouvir seu nome,
Dê força, graça, meiguice e pureza,,
A dádiva Divina que é Simone.


Ó leão, rei das selvas, soberano nas matas,
Que com seus dentes fortes, tudo come,
Torne bem fortes como os seus,, ó rei das matas
Aos dois graciosos dentinhos da Simone.
                                                











Ó Deus, Supremo Criador, Eterno Rei,
Que a inocência vela com celestes véus,
Dê a Simone um futuro lindo,
Com toda graça que houver nos céus.
                  





                                  15/05/1971

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A volta





                  A Volta.
                                  22/11/2013

Eis que nesse instante estou voltando,
Voltando estou do meu próprio destino,
Que na verdade não é nenhum lugar;
E volto triste, amargurada, lamentando,
Me sentindo enfim um pobre peregrino,
Que foi em busca da paz, sem encontrar.









Volto por estradas percorridas,
Levantando ao passar, poeiras assentadas,
Recolhendo as pedras que na ida contornei.
Apreciando as novas borboletas mal nascidas
Colhendo as saudades bem enraizadas,
Tentando resgatar aquelas que deixei.












Frondosas árvores alamedam meu retorno,
E devo confessar, estranhas não me são,
Embora estejam mais copadas, generosas.
Os raios de sol transformam-se em adorno,
Quando rompem a folhagem em turbilhão,
Tornando-as fulgurantes e formosas.





Estou voltando porque o fim é no começo,
E a emoção de retornar é como renascer
Causando calafrios em minha alma dolorida.
Preciso ao caminhar, recordar cada tropeço
Rebuscando sentimentos, alegrias e sofrer
Sabendo que as pedras são lições de vida.



A estrada do retorno é longa, misteriosa
Mas não posso evitá-la, mesmo que quisesse
Já que faz parte de mim esta bela paisagem.
Me aposso das ruínas, me sinto temerosa,
Busco no passado palavras de uma prece
Que me possa incutir um pouco de coragem.



E eis que estou voltando em meu caminho,
Na sombra do silêncio onde as palavras somem,
Na nebulosa escuridão onde falha a memória.
Onde enxergava as rosas, machuco-me em espinhos,
Pedras me machucam, limitações me consomem
E eu sei que nesta volta, está o fim da minha história.

                         



terça-feira, 19 de novembro de 2013

Desabafo


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          Estamos vivendo o período natalino. As pessoas já se apressam para as lojas em busca de preencher esta necessidade que envolve os corações, com o colorido dos enfeites, dos presentes, dos sons...
           O verde e vermelho predominam diante dos olhos e as multidões frenéticas sorriem na expectativa do glorioso Dia de Natal e Virada do Ano.
           Este período caracteriza-se por um sentimento que precisa estar presente dentro de cada um para se transformar no Espírito Natalino.
                                    

                                 
                                               
          Muitos se juntam aos outros, disfarçando uma indiferença provocada pela ignorância. Sorriem porque outros estão sorrindo... Cantam, porque outros estão cantando... Abraçam porque são abraçados.

           Outros ainda, fecham-se totalmente no seu próprio mutismo, provocado pela desesperança, pela decepção... Não se deixam comover pelo apelo festivo que os rodeia. Seguem a vida cientes de que um dia é exatamente igual ao outro.
           Existem aqueles que sufocaram o Espírito do Natal sob as dores e desilusões da vida. Nestes o Natal dormita, (só o Natal dormita nos tempos modernos) mas aguardando...
           Alguns, confusamente imaginam que neste período tão liberal, onde todos são compreensivos, tolerantes e pacientes, podem extravasar seus vícios, taras e loucuras. Bebem, fumam, saciam seus apetites mais vorazes, mais violentos.
          São dias como todos os outros. A  diferença está no interior de cada um.

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           Ando pelas ruas tentando identificar nas faces o que cada pessoa tem no coração. Procuro agrupar os anônimos transeuntes, para entender minha própria alma, de onde a alegria fugiu faz tempo.
           Em todos os segundos que antecedem as festas, debato-me numa aflição sem limites. Sinto-me deprimida diante de tanta expectativa feliz.
           Procuro não demonstrar, para não escandalizar as pessoas...
           Não há Espírito Natalino em mim. Ou pelo menos não há mais.
                                                         
                                                                  



         
 Me lembro com saudades dos tempos passados em que a Noite de Natal era cheia de mistérios  e nós aguardávamos ansiosos a meia noite para irmos à Missa do Galo.
           Lembro os presentes humildes, as roupas baratas. Lembro a mesa pobre e a árvore de Natal feita de galhos secos, enfeitada de algodão e esplendorosa com suas bolas recortadas do papel prateado que vinha no interior dos maços de cigarros.
                                         

                                       

           Lembro os nossos presentes: mamãe sempre ganhava alguma coisa ligada à religião (santinhos de gesso que eram baratinho, tercinhos ganhados no catecismo, figuras de santos coladas em porta retratos de papel que a gente mesmo fazia), e papai sempre ganhava uma caneta (às vezes já usada) que ele rindo, dizia que iria usar para assinar cheques. Os pacotes dos “presentes” normalmente eram feitos com papel de pão branquinho e presos com fita isolante do papai. (Pelo menos nesse dia, ele não ligava.)

                              

                                                                 
           Amigo oculto não havia porque amigo era amigo, inimigo inimigo, e pronto ! Nada de etiqueta, de salamaleques falsos.
           Na Grandiosa Noite, percorríamos as casas dos outros para comer pobreza e beber alegria em forma de “cuba libre” (Coca Cola com cachaça) e abraçar...Abraçar muito a esperança, a fé, a certeza de que Jesus nasceu e nos amou, e com certeza, por este motivo o Ano Novo seria melhor.
                                      
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           Eu, alma pura, ingênua, vivendo a magia de menina pobre, a quem era permitido sonhar e para quem nada era impossível, sabia como dividir e receber, sabia amar e esperar, sabia sorrir na segurança da insegurança do meu lar.
                                        
           Hoje, alma podre, machucada, dolorida, cheia de ressentimentos e total desprezo pela vida, gostaria de acreditar em Papai Noel e acordar o Espírito de Natal que dorme no meu coração.

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        19/11/2013

   

Maria do Beco

                                                                                                 MARIA DO BECO       Conheci ...