segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A volta





                  A Volta.
                                  22/11/2013

Eis que nesse instante estou voltando,
Voltando estou do meu próprio destino,
Que na verdade não é nenhum lugar;
E volto triste, amargurada, lamentando,
Me sentindo enfim um pobre peregrino,
Que foi em busca da paz, sem encontrar.









Volto por estradas percorridas,
Levantando ao passar, poeiras assentadas,
Recolhendo as pedras que na ida contornei.
Apreciando as novas borboletas mal nascidas
Colhendo as saudades bem enraizadas,
Tentando resgatar aquelas que deixei.












Frondosas árvores alamedam meu retorno,
E devo confessar, estranhas não me são,
Embora estejam mais copadas, generosas.
Os raios de sol transformam-se em adorno,
Quando rompem a folhagem em turbilhão,
Tornando-as fulgurantes e formosas.





Estou voltando porque o fim é no começo,
E a emoção de retornar é como renascer
Causando calafrios em minha alma dolorida.
Preciso ao caminhar, recordar cada tropeço
Rebuscando sentimentos, alegrias e sofrer
Sabendo que as pedras são lições de vida.



A estrada do retorno é longa, misteriosa
Mas não posso evitá-la, mesmo que quisesse
Já que faz parte de mim esta bela paisagem.
Me aposso das ruínas, me sinto temerosa,
Busco no passado palavras de uma prece
Que me possa incutir um pouco de coragem.



E eis que estou voltando em meu caminho,
Na sombra do silêncio onde as palavras somem,
Na nebulosa escuridão onde falha a memória.
Onde enxergava as rosas, machuco-me em espinhos,
Pedras me machucam, limitações me consomem
E eu sei que nesta volta, está o fim da minha história.

                         



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Maria do Beco

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