terça-feira, 19 de novembro de 2013

Desabafo


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          Estamos vivendo o período natalino. As pessoas já se apressam para as lojas em busca de preencher esta necessidade que envolve os corações, com o colorido dos enfeites, dos presentes, dos sons...
           O verde e vermelho predominam diante dos olhos e as multidões frenéticas sorriem na expectativa do glorioso Dia de Natal e Virada do Ano.
           Este período caracteriza-se por um sentimento que precisa estar presente dentro de cada um para se transformar no Espírito Natalino.
                                    

                                 
                                               
          Muitos se juntam aos outros, disfarçando uma indiferença provocada pela ignorância. Sorriem porque outros estão sorrindo... Cantam, porque outros estão cantando... Abraçam porque são abraçados.

           Outros ainda, fecham-se totalmente no seu próprio mutismo, provocado pela desesperança, pela decepção... Não se deixam comover pelo apelo festivo que os rodeia. Seguem a vida cientes de que um dia é exatamente igual ao outro.
           Existem aqueles que sufocaram o Espírito do Natal sob as dores e desilusões da vida. Nestes o Natal dormita, (só o Natal dormita nos tempos modernos) mas aguardando...
           Alguns, confusamente imaginam que neste período tão liberal, onde todos são compreensivos, tolerantes e pacientes, podem extravasar seus vícios, taras e loucuras. Bebem, fumam, saciam seus apetites mais vorazes, mais violentos.
          São dias como todos os outros. A  diferença está no interior de cada um.

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           Ando pelas ruas tentando identificar nas faces o que cada pessoa tem no coração. Procuro agrupar os anônimos transeuntes, para entender minha própria alma, de onde a alegria fugiu faz tempo.
           Em todos os segundos que antecedem as festas, debato-me numa aflição sem limites. Sinto-me deprimida diante de tanta expectativa feliz.
           Procuro não demonstrar, para não escandalizar as pessoas...
           Não há Espírito Natalino em mim. Ou pelo menos não há mais.
                                                         
                                                                  



         
 Me lembro com saudades dos tempos passados em que a Noite de Natal era cheia de mistérios  e nós aguardávamos ansiosos a meia noite para irmos à Missa do Galo.
           Lembro os presentes humildes, as roupas baratas. Lembro a mesa pobre e a árvore de Natal feita de galhos secos, enfeitada de algodão e esplendorosa com suas bolas recortadas do papel prateado que vinha no interior dos maços de cigarros.
                                         

                                       

           Lembro os nossos presentes: mamãe sempre ganhava alguma coisa ligada à religião (santinhos de gesso que eram baratinho, tercinhos ganhados no catecismo, figuras de santos coladas em porta retratos de papel que a gente mesmo fazia), e papai sempre ganhava uma caneta (às vezes já usada) que ele rindo, dizia que iria usar para assinar cheques. Os pacotes dos “presentes” normalmente eram feitos com papel de pão branquinho e presos com fita isolante do papai. (Pelo menos nesse dia, ele não ligava.)

                              

                                                                 
           Amigo oculto não havia porque amigo era amigo, inimigo inimigo, e pronto ! Nada de etiqueta, de salamaleques falsos.
           Na Grandiosa Noite, percorríamos as casas dos outros para comer pobreza e beber alegria em forma de “cuba libre” (Coca Cola com cachaça) e abraçar...Abraçar muito a esperança, a fé, a certeza de que Jesus nasceu e nos amou, e com certeza, por este motivo o Ano Novo seria melhor.
                                      
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           Eu, alma pura, ingênua, vivendo a magia de menina pobre, a quem era permitido sonhar e para quem nada era impossível, sabia como dividir e receber, sabia amar e esperar, sabia sorrir na segurança da insegurança do meu lar.
                                        
           Hoje, alma podre, machucada, dolorida, cheia de ressentimentos e total desprezo pela vida, gostaria de acreditar em Papai Noel e acordar o Espírito de Natal que dorme no meu coração.

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        19/11/2013

   

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