terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O poeta quer morrer



 No átrio da vida este templo edificado
estas lágrimas deixadas que o solo sorve num só trago,
e estas mãos divinas de poeta que repousam no verdor do mar.
A caminhada longa se desfaz em pedras e em pedaços de ilusão;
vencidas, admiradas e sentidas mãos
passam de poeta em poeta cheias de nova inspiração.
E estas mesmas mãos que se esforçaram antes,
em bruxuleantes candeias de azeite,
se esforçam hoje em cadeias e desejos 
para a libertação total









Ai, quem me dera poeta  assumir tuas idéias
envilecidas pelo sofrimento
enraizadas na tua dor.
Que seriam as potencias ante este poder ?
Tu estavas vendo o sudário deste amor,
e sem nem pensar, tu farias sudário
um simples bico de gás.
Ó poeta louco. Divino louco que segue caminhando
e descobrindo.
Se tuas mãos não mais escrevem,
se teus lábios não mais beijam,
pelo menos pela morte trabalhas com afinco
esperando nesta morte, ao fim da tua sorte,
que por séculos passados
ansiando vem.
Este  motejo que quer esvaecer
as lúgubres versos que escreveste um dia,
lembram o sabor sincero dos teus beijos
que, poeta, vem se extinguir.
Se teu cérebro não mais ama,
se tua alma não mais cria
toma o sudário alvo, e desce da cruz este amor.
Deixa, poeta, seu corpo ser imolado!
Regue com amor seus versos insólitos
com a divindade pura,
de uma Marília como a de Gonzaga,
de uma Lisa como a de Da Vinci.
Este teu ser ermo pela vida
espera um fio que se partirá.
És sublime, poeta, pelas tuas mãos
e se elas te matam, pouco restará
deste templo gótico edificado
no átrio da vida.

                                                                                                    23/03/1971

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