segunda-feira, 16 de julho de 2018

REFUGIADA.




Refugiada,
tão pequenina, silenciosa, isolada,
chegou trilhando o caminho das águas,
ninguém lhe indagou sobre saudade e mágoas.
No coração,
longe de casa o que bate é a solidão
O tempo preguiçoso não lembra de voltar,
foge a esperança na dor que quer ficar.


Tão inocente,
tem olhos tristes num rosto sorridente.
Mistura os idiomas tentando entender
o que os outros tentam lhe dizer.
Chora sozinha
sem o abraço carinhoso da avozinha.
Lembra a casinha de bonecas “excesso de bagagem”,
abandonada no porto, na pressa da viagem.

Pra lá do horizonte,
ficou sua terra tão quente e aconchegante.
Lá onde céu e mar se juntam pra esconder
o que seu coração não pode esquecer.
Estão fugindo
é o que dizem, mas claro, estão mentindo.
Inventam histórias sobre guerras. Sobre fome.
mas real mesmo é a saudade que consome.


Na áfrica amada
sua alminha ficou acorrentada.
Lá, nas florestas não canta o sabiá
mas se assenta imponente o baobá.
Ah, que desejo
de no solo materno dar um beijo,
de fitar aquele céu tão diferente,
de abraçar uma vez mais cada parente.


Refugiada.
Tão pequenina ainda e tão sofrida,
sem entender os motivos dessa vida,
e as confusões que este mundo encerra.
Deus não devia permitir que as esperanças
fossem tiradas da inocência das crianças
ou que elas fossem afastadas de sua terra.

                                             06/07/2018




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