Vejo
o silêncio deslizar nas sombras
E
astutamente entrar sem ser contido,
Feito
serpente sinuosa, traiçoeiro,
Sufoca
em seus anéis um grito tão sofrido.
Engole
os segundos com fome incontrolável,
Bebe
os minutos como náufrago sedento,
Respira
as horas em transe de desejo,
Escravizando
o tempo sob o seu tormento.
Vai
inundando o espaço absorvendo tudo,
Lembra
uma enchente que destrói sem piedade.
Assume
formas difusas e enganosas
Pra
disfarçar com elas a verdade.
É
uma doença tão grave e destrutiva
Que
aniquila sem dó a força e a razão
E
num delírio febril confunde a alma
E
a atira em violenta convulsão.
Salta
a janela, chega a rua e a domina,
Roubando
para si a vida, a alegria.
Não
permite que voem os sentimentos
Transforma
em brumas o alvor do dia.
Pesa
em respostas que não foram ditas,
Pesa
em perguntas ainda por fazer,
Mas
ele enfim é a melhor palavra
Se
não existe mais nada pra dizer.
04.03.2014
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