Numa alegria e pressa indescritíveis,
Antegozando sabores, cheiros, cores,
Se antecipando em prazeres deglutíveis.
E vêm em revoada feito cambaxirras,
A saltitar em bandos, feito os pardais,
A engolir corredores, devorando portas,
E mesmo antes de comer, querendo mais.
E numa enorme confusão, pernas e braços,
Se ajeitam numa fila engraçada:
Começa com um, com dois e agrupados,
Num trololó de onde não se entende nada.
Olhos de merenda, lindos ! Coloridos !
Castanhos, negros, azuis, esverdeados.
Tão suplicantes, curiosos. Carinhosos,
A enfeitar rostinhos variados.
__ Tia, põe muiiiiiiiiito ! ___ Tia, quero pouco.
__Disto não gosto ! ___ Que delícia ! Isto sim !
__ Só quero aquilo. ___ Separa esta cebola.
__ Ô Tia, frita um bifinho só p’rá mim !
Olhos de merenda, felizes, concentrados,
Solenemente carregando o prato cheio.
Sentam-se à mesa e comem esparramados,
Até a sineta avisar : fim do recreio.
E lá vão eles, sem pressa para as salas,
Arrastando passos, na vontade de ficar.
Agosto de 2003





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