segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Tempestade d'alma



O mar em fúria atira na areia,
ondas destrutivas, vorazes e enormes,
que no retorno arrastam em cadeia,
deixando atrás de si, sulcos disformes.

Com suas vagas ataca um rochedo,
como se dali pretendesse arrancá-lo.
Esconde-se a lua, a disfarçar o medo,
pois  parece que as águas vão ultrapassá-lo.

A  chuva despenca farta e agressiva,
furando a escuridão num golpe violento,
e o turbilhão na queda, mais e mais se aviva,
tornando chuva e mar, um único elemento.

A branca escuma,  tão frágil a debater-se,
no dorso da tormenta a cavalgar,
a cada vagalhão ameaça desfazer-se,
para surgir depois, noutro lugar.

O vento, tenor da ópera maldita,
arrepia as águas com seu sopro de morte.
A cada nota sinistra, bem mais o mar se agita,
e a movimentação se torna cada vez mais forte.

Nada pode resistir ao colossal  evento,
a que a natureza se entrega sem saída.
O maremoto, a chuva e o vento
representam simplesmente a minha vida.   



                      12/11/2016


video

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja bem vindo.

                                                      Na trilha do sol, nas asas do vento,                      envolto em luz, o olh...