quinta-feira, 30 de abril de 2015

Aos mortos vivos.



Não basta a brisa mansa assoviar suave,
Cantando melodias aos ouvidos;
Claro não basta o aconchego deste encanto,
Para quem tem os sentidos adormecidos.


Não é suficiente a alegria alheia,
A natureza linda, a humanidade em festa,
Para quem tem o olhar dos desenganos,
E a personalidade  negra e funesta.


De que adianta o sol brilhar tão lindo ?
De nada importa, o que é belo existir
Para quem vive mergulhado na maldade
E que esqueceu até a forma de sorrir.



De pouco vale o mundo de alegrias
E este céu de um azul intenso e terno,
Se a alma fria, que não ri nem canta,
Mergulha as outras no seu próprio inferno.



Os sentimentos e prazeres são inúteis,
Inúteis são os que estão sempre ativos,
Pois não pode haver prazer nem sentimentos
Para aqueles que se encontram mortos vivos.




A gente, que sente, fica imaginando,
Na esperança de um dia acertar:
Aquele insensível parece que está morto
No entanto esqueceu de se deitar !



Tendo olhos não vê, tendo boca não fala,
Seus ouvidos só ouvem o que ele quer ouvir.
Talvez não tenha esquecido. Sinto até pena:
O morto vivo não sabe é sorrir.






                   18/01/1981

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