sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Positivo



Este orgulho quebrado me causa uma agonia                                                       
e uma ânsia tremenda de “ver acontecer”,
e eu não adivinho de onde sai esta ponta de receio,
que me cutuca a alma, fazendo um sentimento desconhecido.
Sinto que me falta o ar para respirar
e um invisível punhal me penetra a carne
como a chuva lá fora penetra o chão. Eu a ouço.
Se eu tivesse voz protestaria e iria colocar esta mágoa para o mundo ver.
Engraçada a maneira como mergulho na tristeza
me maltratando.
Se acontecesse alguma coisa p”rá quebrar essa rotina...
Mas o que eu quero não acontece e a frustração vem.
Não consigo apagar um episódio.
Assim, de costas, penso que o mundo lá fora é negro,                                               
e se eu me virar, verei que minto.
Lá fora está claro e bonito. Ninguém foge lá fora,
só eu me confundo com esta escuridão que me envolve.   

Nem tenho coragem de olhar para trás
e descobrir que hoje é um dia como os outros,
que a vida continua... que  preciso participar do mundo.
Perdi a coragem de viver porque o ser humano
esconde um lado mau
e já me decepcionei muito.
Não posso descobrir que lá fora é dia !
Se descubro, saberei que lá fora também se chora,
que a natureza está lá fora entre risos e prantos.
Descobrirei que só se foge da vida p’rá morrer.          

que lá fora existem dramas, expostos à  luz
mais vitoriosos que vencidos.
Descobrirei que existem estradas
e que nasci para ser sozinha.
Ficarei ciente das minhas responsabilidades,
porque faço parte da máquina
e não posso quebrar.
Sinto que hoje não há sol
mas se eu me virar
poderei constatar que o sol está entre as nuvens
e se o sol está entre as nuvens
existe esperança !!!


          24/04/1971







Observação: Quando fiz este poema, tinha apenas 19 anos. Posso observar nestas palavras como eu era sem juízo e estava perdida. O mais engraçado porém é que estas palavras retratam o que sinto ainda. Eu sou alguém que tem a alma totalmente perdida.

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