segunda-feira, 26 de agosto de 2013

VAZIO

                             


Já não existe amanhecer bonito,
Já não existe olhar limpo de dor.
Assim como as nuvens mancham o infinito,
Mancha a  minh’alma este torpe amor.

São minhas noites povoadas de visões,
Angústia, medo e insatisfações,                                          
Como minhas noites sinistras de criança.
E este vazio no peito me angustia,
E esta falta tão triste de alegria                                           
Faz-me viver somente p’rás lembranças.

Só, eu relembro as noites já passadas
Na euforia das horas consagradas
A um viver glorioso e intenso.                                 
Sinto-me fraca, triste e vencida,
E a solidão que oprime minha vida
Eu luto, luto, e nem assim a venço.
Sem solução, sem rumo ou destino,                     
Entregue ao meu próprio desatino
Vazia vago. Vivo por viver.
De ser tão inútil nem mesmo Deus tem pena,
Ou pediria uma vida  mais serena
Pelo menos na hora de morrer.

A estrada é longa. Não corro nem descanso,
Passos vazios de quem não quer chegar.
Sou como o rio que corre sempre manso
Sabendo que nunca, nunca vai voltar !




                                     06.01.1981

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