sábado, 24 de agosto de 2013

A FOSSA DA TIJUCA



Esta menina que acompanha o sol que já morreu,               
 abraça-se no tronco, aconchega-se à raiz,
nasceu, cresceu e vive semi agonizante
porque esta menina que sorri, não é feliz.

Ela acompanha com o olhar o amorenar do dia,
e a mata aliada lhe sussurra mil malícias.
Seu olhar se volta invejoso e cruel em plena tarde,
saboreando o gosto de alheias carícias.



                     A água cai, cascateando rica espuma alva,
                     e este véu diáfano lhe coroa o coração.
                     Esta menina que sorri, projeto de mulher
                     casa-se chorando com a doce solidão.                   


                    Porque seu pranto se afoga nesta mágoa,
                    e nem o céu se lhe apresenta inteiro
                    ela sorri e abraça assim a natureza
                    que é seu afeto real e verdadeiro.



Sua pele morena se confunde com a tarde,
e sua oração se vai com o sol que se escondeu.
Esta menina que hoje chora, chorou sempre,
pelo afeto sincero que a vida não lhe deu.

Enquanto chora a mocinha em plena selva,
os risos alheios soam na planície escura.
Assusta-se a inocente com a mentira que lhe trazem,
 mas sorri mentirosa da mentira pura.





  Abandona a selvagem mata o insólito ser             

  sabendo que p’rá sempre em seu viver
  haverá uma selva de pranto e de desejo.

  Sorri dengosa na mentira ingênua e louca,
  e o escárnio que se vê em sua boca,
  mais se assemelha a imaginário beijo.








                                                       01.07.1971

                     


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